DE DEKASSEGUIS, BRASILEIROS SE TORNAM IMIGRANTES NO JAPÃO

Ainda hoje cerca de 270 mil brasileiros moram e trabalham no Japão e a grande maioria se considera imigrante.

Por: Edson Xavier ( O Estado de São Paulo)

Denominar como “dekasseguis” os brasileiros que moram e trabalham no Japão “é uma impropriedade”, segundo afirma Luiz Augusto de Castro Neves, 67 anos, Embaixador do Brasil em Tokyo têm dois anos. O diplomata têm razão: na última década milhares de expatriados brasileiros naquele país assumiram efetivamente a condição de imigrantes. Deixaram de ser dekasseguis, termo que é por muitos considerado pejorativo, e não pensam em voltar ao Brasil não ser em ocasionais viagem de férias para rever familiares e amigos.

 Mas aqueles imigrantes não abrem mão da brasilidade – têm filhos que nasceram no Japão e estudam em escolas japonesas, mas em casa se esforçam para falar o português. Moram em casa própria, como o paulistano Marcelo Felix, de 42 anos, ainda que financiada em até 30 anos. Quitam religiosamente os impostos locais, têm cobertura de planos de saúde, ocupam emprego estável e têm vida financeira estabilizada. São brasileiros cujo passaporte têm o carimbo de Visto Permanente de Residência e torcem o nariz quando são chamados dekasseguis.

 O termo dekassegui é uma junção dos verbetes “deru” = sair, e “kasegu”= lucrar. Ou seja, “aquele que trabalha longe de casa”. No passado servia para classificar japoneses que deixavam suas casas em Okinawa ou Hokkaido e migravam em busca de melhores condições de emprego em grandes centros como Tokyo. A partir da década de 80, com o fluxo migratório entre Brasil e Japão, os brasileiros descendentes e seus cônjuges passaram a ser chamados dekasseguis. Em meados de 90, quando a Imigração japonesa abriu as portas para os descendentes de até terceira geração (sanseis), muitos brasileiros já tinham adotado aquele país como nova pátria em exílio econômico ocasionado pelo período dos governos Sarney e Collor. Já não eram mais dekasseguis.

O empresário Edson Tamada

 “Os brasileiros no Japão hoje pensam em construir para os filhos e aos netos, e a grande maioria não têm pressa em fazer o pé-de-meia e voltar ao Brasil”, observa Edson Tamada, 38 anos. Ele foi operário em fábrica por três anos, e lembra que bem rápido tomou consciência da condição de imigrante e passou a encarar o Japão com outros olhos, com visão de empreendedor.

 Em terras nipônicas Tamada é um exemplo de astúcia empresarial e faz parte de um seleto grupo dos que deixaram para trás a condição de dekassegui e amealharam fortuna em segmentos da indústria e comércio. Construiu mansão em Hamamatsu, no Estado de Shizuoka, onde vive com a mulher e duas filhas, pilota avião particular e administra um complexo empresarial que já foi o maior do Japão entre os imigrantes, fazendo frente inclusive a corporações japonesas.

Tamada: ex-dekassegui que hoje pilota avião próprio no Japão

 Edson Tamada tinha 17 de idade e formação escolar secundária quando desembarcou no Japão 21 anos atrás para trabalhar como operário em uma metalúrgica. “A idéia de montar negócio próprio foi de início com a única intenção de complementar o meu salário da fábrica, mas passei a assumir compromissos cada vez maiores, e que atendiam a comunidade migrante, e os sonhos não pararam de crescer”, lembra ele.

Vista aérea da indústria IB Fox, em Hamamatsu

 Em pouco mais de uma década marcada por grande ousadia empresarial e visão para os negócios, Tamada estabeleceu o grupo IB Fox com atuação em vários segmentos na região central do Japão. Montou fábrica de embutidos e produtos brasileiros, padarias, redes de supermercados, restaurantes e academias de ginástica, entre outros. Ganhou a fama de maior empreendedor brasileiro no Japão, cortejado inclusive por grandes empresários japoneses.

 Três anos atrás a empresa do ex-dekassegui registrava balanço anual de US$ 110 milhões em faturamento, com passivo de US$ 6 bilhões. E gerava emprego direto a 700 funcionários entre brasileiros e japoneses. Foi uma expansão rápida, porém desordenada, e a direção da IB Fox perdeu o controle dos negócios, segundo admite hoje o empresário.

 Com dividas, a IB Fox pediu na Justiça processo de recuperação econômica aprovado pelos credores e há dois anos equilibra as contas. “Vendemos 90% dos ativos da empresa para saldar as dívidas e já iniciamos uma nova fase, reestruturados, e com maior valorização a nosso principal patrimônio que é o quadro de funcionários”, explica. A empresa de Tamada tem hoje 150 funcionários contratados “que fazem o trabalho de 300”, garante ele, com a previsão de que ano que vêm a IB Fox será a maior empresa de Shizuoka no segmento de fabricação de mortadela e embutidos em geral, panificação e frigorífico.

Nova fábrica será inaugurada em abril de 2011

 A produção atual de embutidos é de 150 toneladas ao mês, com 70% destinados ao mercado japonês. Em abril do ano que vêm, quando inaugurar uma nova fábrica já em construção, Tamada calcula a produção mensal de 300 toneladas de mortadela, voltadas ao consumidor nipônico. “Tenho um grande sentimento de gratidão com todas as pessoas que me ajudaram até agora, e isto é que me faz adotar o Japão como segundo lar e desenvolver meus negócios tendo como inspiração as grandes empresas japonesas”, afirma.

 Dificuldades.

Desde que o Japão abriu-se aos brasileiros e tornou-se intenso o fluxo migratório, foram registradas várias fases no chamado “fenômeno dekassegui”. De 80 a 84 ocorreu o retorno ao Japão dos japoneses que tinham vivido décadas como imigrantes no Brasil. Depois, até 89, foi a vez de jovens filhos de japoneses radicados no Brasil sentirem-se atraídos pelas ofertas de emprego das empresas nipônicas e aportarem no país com seus diplomas na bagagem.

 Em 92 passaram a desembarcar no Japão famílias inteiras de descendentes japoneses e seus cônjuges, inclusive com crianças. Já entre 94 a 97, apesar da recessão no país, manteve-se bastante requisitada nas fábricas a mão-de-obra brasileira – força de trabalho flexível e sujeita a mudanças diante das freqüentes oscilações de produção das empresas. E a partir de 98, registra-se a chegada ao Japão de brasileiros com menor escolaridade se comparado aos primeiros imigrantes. Muitos, de todas as fases do processo migratório, foram para ficar.

 O Embaixador do Brasil em Tokyo,  Luiz Augusto de Castro Neves concorda que mudou o perfil da comunidade dekassegui naquele país, com grande número de nacionais brasileiros cientes da condição de imigrantes – e possuidores de casa própria, o que sinaliza a falta de intenção de regresso ao Brasil. “Respeitamos a opção de cada um, e através de sua rede consular o governo continua prestando toda assistência a estes brasileiros quando eles precisam”, observa.

 O diplomata acredita que deve estabilizar-se o número de 260 mil brasileiros residentes no Japão, por conta de uma situação econômica favorável no Brasil e porque o Japão já não é mais o Eldorado antes prometido pelas empreiteiras e agenciadores de mão-de-obra estrangeira. Ele considera que os brasileiros que ficaram no país e que assumem hoje o status de imigrantes, são importante elo de ligação entre Brasil e Japão.

 “Quando os imigrantes japoneses chegaram ao Brasil revolucionaram a agricultura, e a nossa expectativa é que os imigrantes brasileiros no Japão também deixem sua contribuição a este país”, observa.

 Castro Neves acredita que os dekasseguis que almejam retorno breve ao Brasil, ou os imigrantes que não pensam em voltar, ainda têm o não domínio da língua japonesa como principal dificuldade no dia-a-dia. De resto, as autoridades nipônicas têm invertido recursos e pessoal para garantir aos estrangeiros os mesmos direitos assegurados aos nacionais japoneses.

 O governo brasileiro, por sua vez, têm igualmente lançado mão de iniciativas que beneficiam os imigrantes no Japão, como a Casa do Trabalhador Brasileiro, estabelecida em Hamamatsu no último mês de julho e que deveria servir como posto de orientações trabalhistas a quem pretendia voltar ao Brasil ou aos que permanecem no país.

 Também em julho, o ministro da Previdência Social Carlos Eduardo Gabas esteve no Japão e assinou acordo previdenciário para que os dekasseguis usem o tempo de serviço no Japão para o cálculo da aposentadoria. A medida beneficia tanto quem regressa ao Brasil quanto quem pretende ficar no Japão.

 Dekasseguis.

Angela Onishi, planejando a volta ao Brasil

Ângela Onishi, de 38 anos, mora no Japão desde o início dos anos 90. Separada do marido ela está no país com dois filhos menores, com a mãe, oito irmãos e sobrinhos. No Brasil ficaram apenas amigos e familiares de segundo grau, mas nem por isso ela esquece a terra natal. “É bem mais fácil viver no Japão quando se tem a família toda aqui, mas eu penso em voltar ao Brasil assim que tiver dinheiro suficiente, por isso ainda sou dekassegui”, afirma a mulher.

 Ela nunca se preocupou em ter o Visto Permanente de Residência, mora em conjunto habitacional do governo, na cidade de Komaki, Estado de Aichi – com aluguel mensal de cerca de R$ 800,00 – e considera loucura o fato de brasileiros terem assumido dívidas em financiamento imobiliário no Japão.

 Outro veterano dekassegui no Japão que não quer assumir a condição de imigrante é Paulo Oshima, 48 anos. Faz 21 anos que ele trocou Santa Fé do Sul, no Interior de São Paulo, pelo Estado de Gifu. Neste período só voltou ao Brasil duas vezes a passeio e agora faz planos de regresso em definitivo para o ano que vêm. “O trabalho e o salário por aqui já não são como antes, e quase não dá para economizar. Então, acho que é hora de voltar”, afirma.

Paulo Oshima, na porta do alojamento coletivo onde mora em Sakahogi

 Oshima trabalha em uma indústria de auto-peças na cidade de Sakahogi e abre mão de qualquer conforto para aumentar o pé-de-meia. Não têm carro, se locomove de bicicleta e evita gastos desnecessários. Mora em um alojamento coletivo – em prédio antigo onde funcionava um business hotel que faliu, onde paga cerca de R$ 600,00 de aluguel e tarifas de água e luz. Ele diz que não se importa com o inconveniente de usar cozinha coletiva e ter outros 20 apartamentos do antigo hotel ocupados por conterrâneos brasileiros.

O antigo hotel, hoje ocupado como residência coletiva de brasileiros

“A moradia no Japão têm de ser o mais barato possível porque senão fica difícil economizar”, acredita Oshima. A cada três anos ele renova seu Visto de Trabalho junto a imigração japonesa, e garante que nunca buscou conforto por entender que qualquer comodidade faria com que se acostumasse ao país. “Eu nunca quis ficar preso ao Japão”, afirma. Ainda assim, soma mais de duas décadas em sub-moradia e enfrentando chuva, sol ou frio pedalando sua bicicleta para ida e volta a serviços sujos, pesados ou perigosos em fábricas japonesas.

 Imigrantes.

Residente no Japão há duas décadas com a mulher e um filho o paulistano Marcelo Felix, 42 anos, concluiu 4 anos atrás que ao invés de pagar cerca de R$ 1.500 mil de aluguel por um minúsculo apartamento onde a família vivia em Aichi, na cidade de Kasugai, o melhor seria financiar uma casa própria e arcar com o mesmo valor, como prestação. Foi o que fez.

Marcelo Felix só voltou ao Brasil uma vez, em 20 anos

 “O que se paga de aluguel é sempre dinheiro perdido, por isso decidimos pela casa. E também pesou muito nessa decisão o fato de meu filho planejar o futuro no Japão, e nossa família não ter nenhuma perspectiva de volta ao Brasil”, revela Felix.

 Funcionário contratado direto em indústria que fabrica caixas de papelão ele assumiu financiamento imobiliário de 35 anos e não se arrepende. Diz que é um imigrante que se esforça para cumprir com os deveres e obrigações de um cidadão japonês, mas que mantém em casa muitos costumes brasileiros, seja na alimentação, língua e vestuário. Nas horas vagas Marcelo Felix dedica-se a produção de artes plásticas e acelera sua moto em excursões pelo Japão junto a grupo de amigos japoneses.  “Tenho do Brasil apenas as recordações da juventude, de resto já perdi as referências do país porque só estive em São Paulo a passeio uma vez nestes últimos 20 anos”, conta.

 Pensamento idêntico têm Argeno Fujita de Mello, de 36 anos. No Japão desde 98 ele e a mulher Paula decidiram três meses atrás construir residência para escapar do aluguel. Conseguiram incentivo do governo do Estado de Mie, onde vivem, e obtiveram crédito imobiliário de cerca de R$ 400 mil investidos integralmente na construção. “Financiei a casa em 35 anos, e o valor da prestação ficou apenas 10% a mais do que eu pagava de aluguel” explica.

Argeno Fujita e a mulher Paula: financiamento imobiliário de 35 anos

 Argeno Fujita acredita que existe esforço do governo japonês para que os estrangeiros se adaptem ao país e criem raízes como imigrantes, por conta da estagnação populacional japonesa.  Daí os incentivos econômicos, linhas de créditos empresariais e pessoais e facilidades que vêm sendo usufruídas por muitos brasileiros.

 “É difícil admitir que não vou mais retornar ao país onde estão meus familiares, no caso o Brasil, a não ser em férias. Mas essa é a verdade, não tenho planos de retorno a curto prazo porque tenho raízes fortes fincadas no Japão, além de ter uma empresa aberta, funcionários que dependem desta empresa e investidores que firmam contratos a longo prazo”, afirma.

 Arrependidos.

Faz quase uma década que construtoras japonesas por todo o país abriram as portas para clientes brasileiros com um amplo leque de ofertas, de acordo com o bolso e sonhos de cada um. E os então dekasseguis fizeram a matemática na ponta do lápis: morar melhor e pagar o mesmo valor do aluguel, com juros insignificantes. Muitos porém passaram vista grossa ao prazo do financiamento, de em média 30 anos, e se esqueceram que um dia poderia a crise bater à porta, e com ela o desemprego e a vontade de deixar tudo e regressar ao Brasil.

 Nos últimos dois anos muitas famílias brasileiras que haviam contraído crédito imobiliário e que perderam o emprego com a crise, tiveram que renegociar com os bancos a devolução do imóvel. Arcaram com resíduo financeiro para devolver o imóvel à construtora, outros repassaram a casa a terceiros transferindo o financiamento, e há casos não confirmados de gente que simplesmente abandonou o imóvel com as chaves na porta pelo lado de fora e fugiu para o Brasil, deixando para trás um nome sujo na praça.

 O brasileiro M.Y., de 40 anos, é um dos que compraram casa no Estado de Aichi, e se arrependeu do negócio. Têm vergonha da situação e pede para não ser identificado. Com a mulher e uma filha ele ocupava há menos de um ano o imóvel financiado quando foi surpreendido pelo desemprego ano passado. A situação agravou-se porque o casal decidiu separar-se, e nem o marido ou a mulher tinham condições de assumir o financiamento.

“É uma situação bastante constrangedora ter de voltar atrás em um negócio, mas não tive outra alternativa”, lembra. Ele conseguiu renegociar com o banco credor e conta que por sorte, a valorização do terreno onde construira a casa na cidade de Nagoya, compensou a desvalorização da construção.

 Mercado aquecido.

A demanda dos imigrantes brasileiros por melhor qualidade de vida no Japão fez expandir o mercado de imobiliárias e construtoras de olho no potencial de compra dos estrangeiros, inclusive foram criadas empresas por próprios imigrantes com o propósito de atender os conterrâneos.

 João Batista Roberto Junior, 49 anos, mora no Japão desde 97 e justamente no auge da crise, dois anos atrás, passou a intermediar negócios entre construtoras e imigrantes brasileiros nas regiões de Mie, Shiga e Gifu. Em um ano a imobiliária dele formalizou cerca de 30 contratos para construção de imóveis novos e venda de casas usadas, a clientes brasileiros.

 “O mercado imobiliário voltado aos imigrantes brasileiros está aquecido, porque quem tinha que voltar ao Brasil já se foi, e quem ficou é porque realmente sabe o que quer, pretende morar aqui bem mais tempo”, observa. Segundo ele, mudou o perfil dos brasileiros que buscam o crédito imobiliário: antes os consumidores queriam imóveis mais espaçosos, com acabamento de primeira, e não se importavam em assumir dívida de até R$ 700 mil para quitar em 35 anos. Hoje, segundo João Roberto, a procura é por casas de até no máximo cerca de R$ 300 mil. Ele observa que ao intermediar nos tramites junto aos bancos e construtoras, procura orientar as famílias sobre o tamanho da responsabilidade que é assumir uma dívida por décadas.

Hiroshi Nakagawa, da imobiliária Meigui Project

 O japonês Hiroshi Nakagawa, 61 anos, também trabalha no setor imobiliário voltado ao mercado estrangeiro na cidade de Kani, Estado de Gifu, e revela menos otimismo em se tratando de venda de imóveis. “Mesmo os brasileiros radicados no Japão, que chamamos de imigrantes, ainda estão receosos sobre como vai ficar a situação econômica do país, e por isso, preferem continuar pagando aluguel que comprar casa própria”, afirma.

 Dono da imobiliária Meigui, Project,  Hiroshi Nakagawa revela que nos últimos anos vendeu cerca de 80 casas a brasileiros apenas nas regiões de Aichi e Gifu. E garante que não têm registro de nenhum caso de devolução de imóvel ou de inadimplência destes clientes junto aos bancos credores.

 “Ainda têm muitos brasileiros que pensam em voltar ao Brasil e não investem no Japão, e esses podemos chamar de dekasseguis. Mas há uma grande maioria que pensa em formar os filhos no Japão, e que têm estabilidade no emprego e na vida neste país. Estes sim, são os imigrantes que fixam raízes no Japão”, observa Nakagawa, japonês que viveu 14 anos em Jundiaí-SP e que ao regressar ao Japão em 88 passou a trabalhar em áreas que atendiam a comunidade dos dekasseguis brasileiros.

ACORDO PREVIDENCIÁRIO ENTRE BRASIL E JAPÃO

O acordo assinado em julho no Japão pelo ministro da Previdência Social, Carlos Eduardo Gabas vai entrar em vigor a partir de 2011 e deve beneficiar 260 mil brasileiros que vivem no Japão e 90 mil japoneses que trabalham no Brasil.

De acordo com a legislação trabalhista japonesa, quando deixam o país em definitivo os brasileiros podem pedir o reembolso de uma parte das contribuições feitas ao sistema previdenciário. Mas a aposentadoria só é possível àqueles que não resgatam esse valor.

Para se aposentar no Japão é preciso contribuir no mínimo 25 anos, mas os maiores benefícios são àqueles que contribuem mais de 40 anos. No Brasil, a contribuição mínima é de 35 anos para homens e 30 anos para mulheres.

O FINANCIAMENTO IMOBILIÁRIO NO JAPÃO 

Conjunto habitacional ocupado por brasileiros no Japão, em opção de moradia barata

Interessados em obter financiamento bancário para aquisição de casa própria no Japão (loan juutaku) devem reunir determinados requisitos básicos. Para ter aprovada uma proposta de financiamento de casa própria as instituições financeiras exigem do comprador estrangeiro:

 - Que tenha Visto Permanente (Eijuken)

- Que esteja inscrito em Seguro de Saúde (Shakai Hoken ou Kokumin Hoken)

- Que seja contratado direto da empresa empregadora (shain)

- Que apresente o Atestado de Trabalho

- Que esteja em dia com os impostos provinciais e municipais

- Que apresente comprovação de renda anual (Gensen)

- Cópia do Passaporte (página do visto) e do Registro de Estrangeiro

- Que não tenha dívidas pendendes de outros financiamentos – por exemplo, financiamento de veículos ou empréstimos pessoais.

 Tendo em vista algum imóvel construído ou terreno para construção, o interessado deve submeter os documentos para avaliação bancária e fazer uma simulação sobre o valor total do imóvel, a duração do financiamento, as taxas de juros que geralmente ficam em torno de pouco mais de 2% ao ano, e o valor das prestações mensais. Depois da pré-análise bancária e caso haja a aprovação de crédito, o comprador pode então firmar o compromisso.

 O banco não exige que o comprador tenha fiador (hoshonin) porque normalmente as construtoras já providenciam uma companhia de seguros que cumpre tal função (hosho-gaishaa). Assim nas despesas de aquisição do imóvel – e já incluído no financiamento – existe uma taxa referente ao serviço de garantia, o chamada hoshoryo.

PRAZOS - O financiamento de imóvel (chamado Loan Juutaku) pode ter duração de até 35 anos, dependendo da idade do comprador – quanto maior a idade, menor o tempo concedido do empréstimo. Geralmente os brasileiros têm obtido empréstimo em prazos que variam de 20 a 35 anos.

 ENTRADA – Na maioria dos casos não se exige do cliente o pagamento de valores a título de entrada (atamaki) na compra do imóvel. Mas dependendo do rendimento do comprador e disponibilidade financeira, a pessoa pode optar por pagar determinados valores de entrada – que cobrem as taxas de documentação (transferência do imóvel, e outras), e que amortizam o valor do financiamento. Em média paga-se cerca de R$ 30 mil a título de despesas de documentação da compra.

 Há casos também em que o comprador oferece a entrada para complementar o valor concedido pelo banco, por exemplo, se o cliente tem em vista um imóvel de R$ 500 mil e o banco só concede o crédito máximo de R$ 400 mil, o comprador tem de desembolsar R$ 100 mil de recursos próprios.

 MORTE - Em caso de morte ou invalidez da pessoa que contraiu o financiamento imobiliário (arrimo da família), o valor do imóvel é automaticamente quitado por Companhia de Seguro.  Ao assinar o contrato de empréstimo bancário o comprador já firma também uma apólice de seguro de vida, de maneira que garante a tranquilidade dos familiares caso lhe ocorra o falecimento ou invalidez permanente.

 DESASTRES NATURAIS - Os proprietários de casa própria também devem pagar um seguro contra desastres naturais, que cobre o imóvel em situações de terremoto, maremoto, incêndio e até em ocorrência de furtos. O prazo de validade do seguro, e as modalidades de cobertura, são optativas.

 VALORES - Os valores de terreno e de imóveis novos construidos variam de acordo com o tamanho e a região onde se localizam. Quanto mais perto de escolas, hospitais, supermercados e estações de trem e ônibus, mais caro são.

Os preços de terrenos variam conforme a região

 Existe também uma oscilação de preço por Estado e por cidades. Enquanto em Gunma, por exemplo, um terreno de cerca de 200 m2 tem preço médio de R$ 150 mil, um lote nessa mesma dimensão pode custar R$ 70 mil em cidades mais afastadas de centros urbanos, na região de Gero-shi, Estado de Gifu, ou pode custar cerca de R$ 300 mil em cidades como Nagoya ou Komaki, no Estado de Aichi.

 Já o valor da construção, propriamente, depende sempre do tamanho do imóvel e de padrão da construção – onde se considera recursos de acabamento mais caros ou mais em conta. O preço médio para construção de uma casa de  cerca de 130m2 na região de Aichi fica em torno de cerca de R$ 300 mil. Em cidades mais afastadas de grandes centros urbanos, a construção de imóvel nas mesmas dimensões pode ter o custo reduzido pela metade.

 JUROS - O empréstimo bancário para aquisição de casa própria tem taxa de juro abaixo das praticadas em outras modalidades de financiamento. O cliente pode optar entre vários planos de cálculo de juros – sendo que, quanto mais tempo ele optar por pagar a prestação em taxa fixa, maior será a porcentagem do juro. Assim, muitos optam por uma taxa fixa em prazo inicial de 3 anos (que varia de 2% a 2.5% ao ano, dependendo do banco) e a partir de 3 anos a taxa é recalculada por novo período.

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